sexta-feira, 6 de junho de 2014

Memórias de um Sargento de Milícias

"Memórias de um Sargento de Milícias" surgiu como um romance de folhetim, ou seja, em capítulos, publicados semanalmente no jornal Correio Mercantil, do Rio de Janeiro, entre junho de 1852 e julho de 1853. Os folhetins não indicavam quem era o autor. A história saiu em livro em 1854 (primeiro volume) e 1855 (segundo volume), com autoria creditada a “Um Brasileiro”. O nome de Manuel Antônio de Almeida aparecerá apenas na terceira edição, já póstuma, em 1863. 

As aventuras e desventuras de Leonardo, que o autor faz desfilar diante dos leitores com dinamismo, conduzem o protagonista a apuros dos quais ele sempre se salva, graças a seus protetores. Leonardo é uma personagem fixa no romance e suas características básicas não mudam.

Duas forças de tensão movem as personagens do romance: ordem e desordem, que se revelarão características profundas da sociedade colonial de então.


Memórias de um Sargento de Milícias" é uma obra publicada no período em que se manifestava o auge do Romantismo. Além disso, trata-se de um momento pós-independência e havia uma busca por uma identidade nacional. Os fatos narrados no livro acontecem por volta de 1810, período de chegada da corte portuguesa no Brasil, e a história é contada em um tom coloquial e jornalístico (ágil, dinâmico).

Acompanha-se no livro o crescimento do “herói” Leonardo, desde sua infância de travessuras, suas primeiras ilusões amorosas e aventuras, até sua fase adulta com trabalho e casamento. A dinâmica da narrativa é repleta de humor que envolvem situações tidas como amorais, e em diversas passagens há uma conversa direta com o leitor, digressões e metalinguagem. Além disso, durante a obra o autor busca em alguns momentos relacionar o tempo passado com o presente.



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